Domingo, 1 de Maio de 2011

...como um poema no meio

Fotografia de Maria Margarida Oliveira Ramos

Para que sintas a dimensão das palavras que te escrevo interponho a imagem que segura melhor a frase ao pensamento. Há sempre uma viagem que se repete nos olhos em gestação, luz e profundidade na retina, como um poema no meio. Repara como tenho por detrás dos olhos todas as casas em que morei depois de nascer. Neles os reflexos são o mote da forma que traz no seu seio a semelhança e a semente. Interessa-me essa distância que vai da superfície ao fundo onde mora a perspectiva do mundo. É com a chave que rege a posição dos astros que o Acaso abre os frutos e pode trazer um lugar dentro dele. Assim são os olhos da criança que te mostro, devir imprevisto, transparência por detrás da água. Fixo o sol aos meus textos para encontrar os teus olhos e explicar-te como o coração se move. E mesmo sabendo que as palavras têm um destino que desconhecemos, escalo a montanha com os olhos como se fossem um espelho.


Gisela Ramos Rosa, 01-05-2011

5 comentários:

Ana Oliveira disse...

As palavras são como a "sarça ardente"...são o fogo em si mesmo e ardem em nós sem se perderem nem nos consumirem...
Bela a foto, grandes as palavras que a acompanham.
Beijinho Gisela

Gisela Rosa disse...

Querida Ana.

As suas palavras tão justas ao meu texto. Um beijo de cumplicidade e sensibilidade*

Rafael Castellar das Neves disse...

Excelente!!

[]s

tb disse...

Escalamos a montanha até onde nos levarem as palavras mesmo que não saibamos o que nos espera. Ou talvez por isso mesmo...
belas as fotos e as palavras. Tudo aqui é belo!
Beijinhos, Gisela.

Ana C. disse...

sempre um viajar passar por aqui
beijos e flores