Saharest
© Julie Aucoin

olhos silêncio espelho

Baruni
© Robert

As imagens tal como as palavras "tribalizam", criam representações




Em Fevereiro de 2008 um grande amigo, o professor José Machado Pais, perguntou-me se queria colaborar num artigo com ele sobre o cinema e os jovens. Devo referir que a minha enorme admiração por este grande senhor da sociologia que encontrei quando caminhava na pesquisa da minha tese de mestrado, não se prende apenas com as suas qualidades académicas mas com a sua postura humana perante a Vida e as Pessoas, na forma como se relaciona com estas e como as conta nas suas relações sociais, com a minúcia e elevação serenas de um sábio, mostrando-nos Vidas Autênticas, nos seus artigos, nas suas conferências, nos seus livros. na sua fala. Aceitei este convite sem hesitar sabendo que a responsabilidade era enorme, mas sabendo também que teria a possibilidade de (re)velar e expressar em conjunto, a quatro mãos com todo o prazer das mãos (escrita) e da alma. Assim nasceu um texto com o título De uma Estética do Consumo a uma Estética do Crime que foi publicado na Colectânea A Juventude vai ao Cinema (editora Autêntica, 2009), (ver aqui) - Brasil - em conjunto com outros tantos textos de outros investigadores do mundo, sobre o mesmo tema. Esta publicação tem organização da professora Inês Assunção de Castro Teixeira e dos professores José de Souza Miguel Lopes e Juarez Dayrell (do Observatório Jovem).

Deixo-vos um pequeno excerto do artigo:

"Tal como as palavras às quais se refere José Machado Pais (2004), as imagens “tribalizam” as comunidades, neste caso os jovens afrodescendentes, criando simulacros identitários. “Devem as ciências sociais fazer orelha mouca dessas vozes que apregoam etiquetas em tudo o que é realidade?” (p.12)."

Sinopse da editora sobre Colectânea:

"Nesta coletânea estão presentes as mais diversas formas de ser, de estar e de se viver a juventude, juventudes muitas, sob o olhar de vários cineastas, de diferentes países e épocas. A obra contém vários olhares e sensibilidades, várias questões e reflexões de grandes diretores do cinema mundial, que buscaram observar, escutar, sentir, pensar, dialogar com as juventudes, tentando compreendê-la, dar-lhes visibilidade e registrá-la com suas câmeras. E assim como os diretores das obras cinematográficas escolhidas para comporem a coletânea, os autores/as dos textos, nossos convidados/as, pesquisadores do campo da educação e/ou da juventude, oferecem-nos diferentes planos e prismas, idéias e palavras, perspectivas teórico-analíticas e narrativas em seus trabalhos sobre os filmes, compondo, a partir do elenco dos filmes escolhidos, um caleidoscópio de figurações, imagens, luzes e sombras, no qual a juventude é o centro. Partimos dos princípios gerais da Coleção, destinada prioritariamente a educadores/as, entendendo o cinema como arte e pensando largo sobre suas possibilidades na educação e na escola. Nesse sentido, propomos que nelas esteja presente, não apenas como passatempo ou ocupação de tempo, não ou somente como uma linguagem e não somente como recurso pedagógico e instrumentalização didática, mas como uma arte que nos faculta o encontro com a alteridade."

PARTE I:
CULTURAS JUVENIS
“Asesinos adolescentes, asesinados”: Los Olvidados
Carles Feixa
Maria Cheia de Graça: um corpo “mula”, um corpo prenhe
Glória Diógenes
Não sou mais assim: decolagem, phylia e
hospitalidade em um Albergue Espanhol
Carlos André Teixeira Gomes, Inês Assunção de Castro Teixeira
e Karla de Pádua.
Zona J: de uma estética do consumo a uma estética do crime
Gisela Ramos Rosa, em colaboração com José Machado Pais
Proibido Proibir: jovens universitários entre o campus e a cidade
Paulo Carrano

Por um tempo da delicadeza
Paulo Henrique de Queiroz Nogueira
Elefante e o universo juvenil na obra de Gus Van Sant
Geraldo Leão.

PARTE II
REBELDES JUVENTUDES
Antes da Revolução: existência e
futuro individual num momento efêmero
José de Sousa Miguel Lopes
Edukators: novas formas de visibilidade da juventude contemporânea
Juarez Tarcísio Dayrell e Rodrigo Ednilson .
Na motocicleta, sem perder a ternura
Antonio Julio de Menezes Neto .
Batismo de Sangue e o que é que eu tenho a ver com isso, hoje?
Nilton Bueno Fischer .
Juventude: a rebeldia em cena ou a utopia do poder
Sandra Pereira Tosta e Thiago Pereira

© sasson haviv

Trouxe também os instrumentos dos mineiros*


Firewood (Coal) worker 1
© Yavuz Sariyildiz



Trago os instrumentos do fogo
ponho-os na boca
ponho-os no coração

Trago os instrumentos da respiração
- Uma montanha, uma árvore que lhe dá abrigo -
E suspendo-os nos ramos como pinhas que dão sombra
Um lugar fresco para os deportados de Sião nas margens

Trouxe também os instrumentos dos mineiros
Uma luz na cabeça voltada para o pensamento
Um olhar profundo
O modo prisioneiro de virem livremente para fora

E trago todos os instrumentos na circulação do sangue e na ocupação
(permanente

Das mãos
Para o instrumento difícil
do silêncio


Daniel Faria, Poesia




O título desta edição é um verso de Daniel Faria, do mesmo poema

uma pequena nascente



© Robert

a cultura determina a visibilidade?

some unspoken words
© Codrin Lupei


A apreensão da realidade nunca é directa. Ela é sempre mediatizada pela cultura.
Kilani, 2000